SAÚDE

Outubro Rosa reforça prevenção e diagnóstico do câncer de mama



O movimento internacional de conscientização para o controle do câncer de mama, conhecido como Outubro Rosa, foi criado na década de 1990, pela Fundação Susan G. Komen for the Cure. No Brasil, a comemoração foi instituída pela Lei nº 13.733/2018. O Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão auxiliar do Ministério da Saúde no desenvolvimento e coordenação das ações integradas para a prevenção e o controle do câncer no Brasil, participa do movimento Outubro Rosa desde 2010 com a realização de eventos técnicos, debates, divulgação de materiais educativos para difundir cada vez mais informação sobre os fatores de proteção e a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama. 

Anualmente a data é celebrada por toda sociedade, empresas públicas e privadas, mídia em geral com um único objetivo: compartilhar informações e promover a conscientização sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento e contribuir para a redução da mortalidade. 

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) criou a campanha para o Outubro Rosa 2020 com a temática "Quanto antes melhor", com a ideia de despertar nas mulheres a busca por hábitos saudáveis no dia a dia, com a prática de exercícios, alimentação saudável para evitar diversas doenças, inclusive o câncer de mama. Para 2020, o INCA estima 66.280 novos casos de câncer de mama no Brasil.   

A médica ginecologista e obstetra Rafaela Almeida Demarco e a médica ginecologista e especialista em sexologia Sandra Kasai, esclarecem alguns tópicos sobre o assunto em entrevista à Redação PrimaPoint. 

Segundo a SBM "o câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres, no Brasil e no mundo, correspondendo a cerca de 25% dos casos novos de câncer a cada ano. Esse percentual é de 29% entre as brasileiras." 

O câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença, "pois os homens têm pouco tecido mamário", afirma Sandra Kasai. 

O que é o câncer de mama 

Segundo a médica Sandra Kasai, "o câncer é uma célula que se multiplicou errado, de forma desordenada, formando um tumor". Existem vários tipos de câncer de mama, sendo que alguns apresentam desenvolvimento rápido, e outros são mais lentos.  

Se diagnosticado na fase inicial, em grande parte dos casos, o câncer de mama tem chance de passar por tratamentos menos agressivos e com taxas de sucesso satisfatórias. 


Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres. 

Como fazer o exame clínico das mamas 
 
A médica Rafaela Demarco enfatiza que "o exame é realizado por médico ou enfermeiro treinado para essa atividade". Neste exame poderão ser identificadas alterações e, se necessário, será indicado um exame mais específico, como a mamografia, um raio-X que permite descobrir o câncer quando o tumor ainda é bem pequeno. 

Rafaela ainda complementa, que "é recomendado fazer os exames de rotina anualmente a partir dos 40 anos. Para as mulheres com histórico familiar, o ideal é começar o rastreamento antes, com orientação do médico, apesar de esse fator representar uma porcentagem pequena dos casos. É importante salientar que, mesmo que não haja casos na família, é indicado que todas as mulheres façam o exame de rastreamento". 

A recomendação é que o autoexame seja feito a partir dos 20 anos, contudo, mesmo que a mulher se toque regularmente, essa prática não substitui exame clínico. 

Segundo o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antônio Frasson, "o autoexame não é capaz de identificar lesões pré-malignas, lesões muito pequenas, antes de se tornarem câncer, propriamente dito, ou seja, não consegue descobrir as lesões quando elas podem ser tratadas mais facilmente". Por isso, vale ressaltar a importância de ir ao médico regularmente e realizar periodicamente exames clínicos. 

Outra recomendação da SBM é que mesmo sem apresentar sintomas, as mulheres a partir dos 40 anos devem fazer anualmente o exame clínico das mamas e aquelas entre 50 e 69 anos, no caso de baixo risco, se submetam a mamografia, pelo menos, a cada dois anos.  

Esta periodicidade leva em conta benefícios e riscos da mamografia, que é um raio-X capaz de identificar tumores pequenos. Já mulheres consideradas de alto risco devem procurar acompanhamento individualizado. Este grupo inclui aquelas com história familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos. 

Um fato relevante comentado pela especialista Sandra Kasai é que "se observa é um aumento na incidência de câncer de mama em mulheres mais jovens, e isto provavelmente esteja relacionado a obesidade, estilo de vida, geralmente por estarem fora do grupo de rastreamento o diagnóstico é feito em uma fase mais tardia, na grande maioria das vezes observado pelo próprio paciente". 

Possíveis sinais e sintomas 

O câncer de mama pode apresentar diversos sintomas, mas pode também ser assintomático para muitas mulheres. É importante, portanto, que a mulher conheça bem o seu corpo e possa analisar com frequência qualquer alteração nas mamas e procurar o médico ao notar alguma anormalidade. O Ministério da Saúde pontua alguns sintomas que devem ter atenção especial: 

- alterações no tamanho ou forma da mama; 
- nódulo único e endurecido; 
- vermelhidão, inchaço, calor ou dor na pele da mama, mesmo sem a presença de nódulo; 
- nódulo ou caroço na mama, que está sempre presente e não diminui de tamanho; 
- sensação de massa ou nódulo em uma das mamas; 
- sensação de nódulo aumentado na axila; 
- espessamento ou retração da pele ou do mamilo; 
- secreção sanguinolenta ou aquosa nos mamilos; 
- assimetria entre as duas mamas; 
- presença de um sulco na mama, como se fosse um afundamento de uma parte da mama; 
- endurecimento da pele da mama, semelhante a casca de laranja; 
- coceira frequente na mama ou no mamilo; 
- formação de crostas ou feridas na pele junto do mamilo; 
- inversão do mamilo; 
- inchaço do braço; 
- dor na mama ou no mamilo. 
 
Tratamento 

Existem diversos tipos de tratamento indicados para combater o câncer de mama. O tratamento a ser adotado deverá ser definido pelo médico, após a análise de todos os exames realizados e pelos dados fornecidos pelo médico patologista, após a realização de biópsia. 

"Para cada diagnóstico existe um tratamento diferenciado. E mesmo para pacientes com o diagnóstico de câncer de mama, para cada mulher existe um tratamento individualizado", afirma a ginecologista e obstetra Rafaela Demarco. 

O tratamento do câncer de mama varia de acordo com a fase em que a doença se encontra (estadiamento) e do tipo do tumor. Quando a doença é diagnosticada no início, o tratamento tem maior potencial curativo. No caso de a doença já possuir metástases (quando o câncer se espalhou para outros órgãos), o tratamento busca prolongar a sobrevida e melhorar a qualidade de vida.  

O tratamento é multidisciplinar, ou seja, deve incluir a opinião de vários especialistas médicos, como o mastologista, o radiologista, o oncologista clínico, o radioterapeuta, assim como enfermeira especializada, psicóloga, fisioterapeuta e assistente social.

Habitualmente, o tratamento pede cirurgia e "depende da fase em que a doença se encontra e do tipo de tumor, podendo ser realizado radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia ou terapia biológica", complementa a médica ginecologista e sexóloga Sandra Kasai. 

A médica Rafaela diz que "quando tratado em fase inicial, as chances de cura chegam a 90%. Com o diagnóstico precoce, o tratamento fica mais fácil, o índice de cura aumenta e o risco de sequelas diminui." 
 
Como prevenir 

Sabe-se que o câncer de mama não é totalmente prevenível em função dos diversos fatores relacionados ao seu surgimento e ao fato de que vários deles não são atitudes modificáveis. De modo geral, a prevenção baseia-se no controle dos fatores de risco e no estímulo aos fatores protetores, especificamente aqueles que podem ser mudados com a adoção de hábitos saudáveis. 

Segundo o Ministério da Saúde e INCA, estima-se que por meio da alimentação, nutrição e atividade física é possível reduzir em até 28% o risco de a mulher desenvolver câncer de mama. Controlar o peso corporal e evitar a obesidade, por meio da alimentação saudável e da prática regular de exercícios físicos, e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são recomendações básicas para prevenir o câncer de mama. A amamentação também é considerada um fator protetor.  

A mamografia é o principal exame para detecção de altercações mamárias.

"A ultrassonografia de mamas deve ser solicitada quando necessária para complementação do diagnóstico. O diagnóstico é finalizado com biópsia da mama e em alguns casos são necessário ressonância magnética da mama. Todas as mulheres, independentemente da idade, devem ser estimuladas a conhecer seu corpo para saber o que é e o que não é normal em suas mamas. A maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres. Prevenção e autoconhecimento do próprio corpo. A informação pode ajudar e salvar vidas", finaliza Rafaela.  

Para  médica Sandra Kasai, "é importante ressaltar que no Brasil ocorre 1 caso novo a cada 10 minutos, os fatores genéticos representam apenas 10 % de risco e o início do câncer ocorreu 5 a 10 anos antes do diagnóstico. Sempre procurar médico, clínico, ginecologista ou mastologista. A prevenção se dá com mudança de hábitos de vida, os exames de rastreamento não são preventivos e sim diagnóstico", finaliza Kasai. 






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