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REFLEXÃO

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Matheus Honório


Avatar Matheus Honório
Carta Aberta Memorial PrimaPoint
Carta com escrita colaborativa de Clara Dias


Nunca passamos por um ano tão ironicamente bizarro e imprevisível como 2020. Quase impossível fazer projeções para o futuro, criar expectativas e realizar sonhos e objetivos de imediato. Que a angústia, ansiedade e frustração se tornaram sensações rotineiras acompanhadas da vontade de chorar, sumir, fugir para uma realidade paralela ou ainda se entregar ao caos que se tornou o ano.
 
Nesta guerra, em que os nossos maiores inimigos são invisíveis: o confinamento serviu para testar os ânimos, medos e preocupações, sendo a única estratégia eficaz para a contenção do vírus. Nossos rostos receberam um novo adereço que com estampas trouxeram um pouco de alegria para as faces cansadas e apreensivas.
 
Fazer tarefas habituais como ir ao supermercado, se tornou um ritual: máscara, álcool gel, medição de temperatura, distanciamento social, higienização dos produtos... Acho que nunca sonhamos que iríamos encarar algo assim.
 
Por falar em distância, abraços e beijos se tornaram sinônimos de saudades, memória afetiva e lembranças de momentos doces antes de tudo que estavam por vir. A conversa olho no olho - espelhos da alma, as risadas espontâneas tiveram que ser intermediadas por chamadas de vídeo para matar o gostinho daquele encontro ao vivo e vivenciar um esplendoroso momento com os que amamos.
 
Acredito que muitos devem se questionar: “Se soubesse que aquele abraço fosse o último... Eu teria abraçado mais”, “Se soubesse que aquela seria a última festa antes da pandemia, teria aproveitado até o último instante a companhia dos meus amigos” ... Conglomerado de infinitos questionamentos...
 
Nove meses, mesmo com flexibilizações, seguimos confinados para proteger quem amamos, longe daqueles que nos trazem alegria, longe da correria do dia a dia, deixando todos os super heróis que se vestem de branco cuidando dos amores das pessoas.
 
Não é uma situação fácil, mas chegamos até aqui...
 
E aí vem outro inimigo invisível: o surgimento da imprevisibilidade da vida!
 
Confesso que tinha aquela ingenuidade de achar que tudo seguia em forma linear.
 
Não! A vida, o mundo, o universo, não são lineares! Prova disso, as fatalidades. A morte é uma realidade e os imprevistos conseguem traçar fins sarcásticos. Naturais, acidentes, perdas tristes e repentinas, mas que não levam de você os fatos, as singularidades daqueles que o amavam. Ter vivido o sorriso poderoso e a presença contagiante dos que foram... Lembrar desses momentos, eu garanto, é reconfortante!
 
Agora tudo é triste, as lágrimas caem sem aviso e a esperança parece menor. Mas a verdade é que a vida continua e aqueles que amamos continuam vivos através de nós.
 
Pandemia, fatalidades, lutos e confinamento passaram, mas o mundo não será mais o mesmo.
 
Gosto de pensar que seremos mais empáticos, humanos e com muito mais amor no coração para dar o tão sonhado abraço em quem a gente ama. A experiência traz reflexões que, não importa todo o dinheiro do mundo se você não tem alguém para dar e/ou receber amor, que não há como expressar tamanha a dor de perder um ente querido em palavras. Já enterramos pais, mães, irmãos, amigos... Dar adeus ao ser humano que considera mais íntegro e honesto que já conheceu. E pode ter certeza que jamais será esquecido. Pois pessoas assim especiais acabam por se tornar imortais. Por isso, nos momentos de incomensurável tristeza, minhas mais puras e sinceras condolências!
 
Percebe que no fim partilhamos de dores e momentos asfixiantes. Então, no exato instante em que você descobrir que não está sozinho, com este pensamento, juntos, superaremos! Vamos seguir em frente para que o próximo ano, seja uma extraordinária revolução!
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Carta Aberta Memorial PrimaPoint escrita por Clara Dias e Matheus Honório.
*texto revisado e aprovado pela editora e colunista colaborativa Maíra Camargo Ramos.


Sobre Matheus Honório

Jornalista

Jornalista polivalente: produtor, repórter, fotógrafo, cinegrafista, editor e diretor. Trabalho com redação jornalistica, assessoria, cinema e produção audiovisual. Trabalhei como redador de site e produtor audiovisual do Portal e TV Facopp. Além da experiência em planejamento, produção e roteiro, sou especialista em Cinema e Produção Audiovisual pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste). Durante a graduação fui diretor do webdocumentário 'Fitas de História' sobre a memória televisiva de uma emissora do Oeste Paulista, diretor do filme 'Fortalezas', que retratou a história de mulheres no esporte, roteirista e cinegrafista do filme 'Quatro Sinais', longa sobre o trabalho de recuperação de toxicodependentes realizado pela Associação Lar São Francisco de Assis.


Sobre a Coluna

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Reflexão é uma Coluna criada para pautar assuntos gerais e ideias que são tabus com o objetivo de fazer com quem lê, reflexionar sobre os temas abordados. Descubra se existe alguma semelhança entre você e o que é discutido aqui.


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